sexta-feira, 13 de novembro de 2009

30



Língua e linguagem são coisas que me espantam certas vezes. Ontem durante uma conversa não mais que genial ou não menos que estúpida ou vice-versa, fiquei questionando algumas palavras de nossa querida língua portuguesa, língua esta cheia de aspectos confundíveis e até dolorosos - aos olhos e ouvidos.
A palavra em questão é buceta. Sabemos que buceta vem de bolseta, bolsa pequena e que foi relacionada - quem sabe por qual motivo, não é minha gente? - ao orgão genital feminino.
Que dizer da palavra maneta? Maneta é o indivíduo que não possui mão; perneta não possui perna e por aí vai. Por aí vai? Não! Além de buceta temos a punheta, que poderia ser perfeitamente um sujeito sem punho, um caso menos fortunado de maneta, o sem mão.
O sufixo ETA então sugere falta de algo. É isso queridos professores lingüístas? Não precisamente, considerando que maneta e perneta são termos informais para nos referirmos aos alguma-coisa-eta. Punheta: mais informal impossível e trágico, dramático:
- Pobre menino punheta! 
 Não vou discorrer sobre a ambiguidade da frase acima que é quase paradoxal. Significando então a falta de algo, o que faltaria para o pobre (ou para a pobre) buceta? Buço minha gente! Muito buço. Eu, como exemplo, sou um buceta desde sempre, já que nunca tive um buço proeminente e piloso.
Citei acima que nossa língua possui aspectos confundíveis, e realmente possui. Se buceta designa mesmo alguém sem buço e poucos sabem - ou se significasse e poucos soubessem - teria-se muito problema. Imagine só a seguinte cena:  
-Mamãe, finalmente conheci um rapaz buceta! 
- Sério minha filha? Que bom isso! Pelo menos não terás problema com sopas no bigode de teu marido.
Isso ficaria pior ainda se levando-se em consideração outro sufixo de igual complexidade no caso de buço: o UDO/A.
 Frida Khalo (deve estar se revirando no túmulo, com meus perdões) foi uma artista bucetuda. Seu buço piloso era um de seus atributos físicos mais chamativos.
Termino o texto de hoje desapontado e confuso; com quase vinte e dois anos de idade ainda sou um buceta e mais ainda, tem mulher muito mais bucetuda que eu.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

29

... e do nada virou para o outro sofá, procurando alguém para comentar aquela cena engraçada que tanto o fazia rir. Era um hábito comentar as melhores cenas de tudo o que passasse na televisão. Mas, para a tristeza do momento, o sofá estava vazio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

26

Da varanda térrea do sobrado na avenida acima da minha, D. Joana via tudo. Tudo o que passava, o dia todo. E não era pouca coisa. Soube que na época que a avenida era rua e D.Joana era moça e não era dona de nada, nem de si, havia um rapaz. Sim, um rapaz que todo dia lá perto da varanda passava com caixas. Da feira. E Joana olhava, amava, suspirava e quando não o via, chorava, peito chiava, soluço uivava.
Começaram a namorar, ela da varanda, ele da calçada. Ela não descia, ele não subia. E namoro havia.
Um dia a graça acabou. O rapaz, de tanta caixa carregar, encaixotado acabou. Joana logo com o dono da cartório se casou. A mãe morreu. Marido mudou. Virou D. Joana e com sua varanda, olhando a rua, lá ficou.

25

- Por você mantenho meu outro eu. M'eu aventureiro que corre riscos e rabiscos. Subindo prédios, caçando o sol, colorindo o céu. Rabiscando mesmo. Por você eu concedo à esse outro eu, o poder, dever e direito de ser eu sempre que você quiser. M'eu calmo quiçá lento preguiçosamente dorme nos seus braços desconfortavelmente em qualquer posição ou na fila de qualquer pão. Mas m'eu é seu e não meu.
- Vamos tomar café?