Planos. Argumentos.
Malas. Bagunças.
Paris.
Desembarque. Hotel.
Tweed e Oxford.
Casaco leve e botas.
Jantar.
Dom Perignon;
Dom Perignon;
Dom Perignon;
Finalmente,
pAris!
domingo, 11 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
40
ela sempre surgia com seu vestido branco, rodado. Esperava atentamente a confirmação do vôo no painel de chegadas e partidas. Ele chegava e dava-lhe um susto, vestido rodava. ela se encantava com as histórias e feitos do amado amante. Ele se encantava com o encantamento por parte dela para coisas corriqueiras à rotina dele.
O andar sem rumo, os olhos perdidos, a leveza do vestido eram contrapostos pela maturidade da pele, segurança do riso, força do abraço, certeza do rumo escolhido. Assim ensolaravam constantemente os finais de semana da cidade acinzentada. Abafavam com risadas todo e qualquer barulho. A luz intensa dos sorrisos desbotavam todas as outras cores ao redor.
Tempo. Tempo. Tempo.
ela surgiu na plataforma vestida da mesma forma inocente. Ele notou algo diferente. Olhar, estranhamento, riso.
Ela agora era dele;
ele, dela.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
39
Resolvemos marcar o tal encontro. Vestido de amarelo eu fui. Cheguei conforme horário combinado, procurei um local agradável naquele parque; lá sentei e esperei. Esperei.
Meu amor não apareceu. Deitado na grama construindo possibilidades explicativas para o atraso do amor, me peguei fitando alegremente o sol. Passamos assim toda tarde. O verão todo.
Amantes agora; ele lá, eu cá.
O sol, quente, me beijava.
E eu, fiquei cego de amor.
terça-feira, 23 de março de 2010
38
A filha menos querida, única prestativa sem dramas ou reclamações, ajuda ao pai com sua organização minuciosamente clínica. Todos os finais de semana desde a morte da mãe - Deus a teve - dedica seus préstimos domésticos à casa paterna. É um zelo sem igual.
O velho, um aposentado rabugento, passa mais da metade do seu dia útil sentado numa poltrona de couro marrom, de onde, confortavelmente dita regras para o andamento (caótico) da casa. A poltrona, presente da filha menos querida em comemoração a aposentadoria do pai, ficou guardada na garagem por quinze anos. O retorno da poltrona a superfície - superfície levando em conta o posicionamento da garagem em relação aos outros dois pavimentos da casa - se deu quando à morte da esposa, o velho precisou de algo igualmente grande, quente e confortável para completar a lacuna que a esposa deixara.
(São quatro filhos ao todo: três mulheres já feitas e um moço ainda em má formação).
No imaginário da vizinhança, constituída de uns tipos interessantemente caricatos, àquele lar é um lar feliz. Quanta imaginação atrapalhada. A casa vive em bagunça e a santa filha menos querida sempre tenta manter a ordem. O pai, ingrato, apenas resmunga; palavras claras e límpidas só são ouvidas quando “nunca atendem um pedido simples” ou “ainda não trouxe meu café”. Como a esposa deve fazer falta. Embora a coitada deva estar agora, não importa onde, mais tranqüila. Os outros filhos moram na casa paterna e abusam sem dó dos préstimos da irmã. Que santa!
(Tal situação precisa acabar logo. Filha menos querida não merece mais sofrer. Mas, não pensem que algum príncipe irá salvá-la ou algo do gênero. Ser reconhecida como filha redentora, muito menos).
No sábado mais bonito daquele mês, filha menos querida acorda cedo-ainda-escuro, prepara um delicioso café da manhã, medica o pai e com suas prendas domésticas deixa a casa um verdadeiro brinco de diamantes. Em estado bruto. Arruma suas coisas na habitual valise preta e sai com um ar triunfante de dever cumprido.
Filha-menos-querida ir embora para sempre e nunca mais voltar já seria vingança suficiente para aquela família; mas por um descuido ingênuo durante o fazer do café da manhã, o gás ficou ligado. Algumas pessoas (in)felizmente não resistem ao gás butano. Ligado por horas em ambiente fechado sem ventilação pode até fazer mal a saúde.
Um silêncio pacífico e comovido foi promovido. Os cretinos ficaram, finalmente, em convergência.
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